{"id":6993,"date":"2013-11-16T10:20:00","date_gmt":"2013-11-16T09:20:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2024-11-12T14:15:09","modified_gmt":"2024-11-12T13:15:09","slug":"sobre-o-movemento-sen-terra-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.amarinha.gal\/ribadeando\/2013\/11\/16\/sobre-o-movemento-sen-terra-no-brasil\/","title":{"rendered":"Sobre o movemento sen terra no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Hai un par de semanas, deixei constancia no blog dun<a href=\"http:\/\/ribadeando.blogspot.com.es\/2013\/11\/era-kelli-sen-terra.html\"> encontro mantido en Ribadeo cunha representante do Movemento de traballadores sen terra do Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Agora remato de recibir un pequeno informe de Amarante-Setem sobre a visita de Kelli, que as\u00ed se chamaba, a Galiza. Informe que paso tal como o recibo:<\/p>\n<p>INFORME SOBRE A VISITA DE KELLI MAFORT (MST) \u00c0 GALIZA.<br \/>\nDatas: 31 de outubro e 1 de novembro de 2013<br \/>\nObjetivo da visita: que a companheira Kelli Mafort (membro da Direc\u00e7\u00e3o Nacional do MST e coordinadora nacional do setor de g\u00eanero) informe sobre a reforma ag\u0155aria popular e a prepara\u00e7\u00e3o do VI Congresso Nacional. Tamb\u00e9m, que possa identificar lutas e resist\u00eancias na Galiza (e na Europa) e articular alian\u00e7as com elas.<br \/>\nReuni\u00f5es mantidas:<br \/>\nDia 31 de outubro:<br \/>\n\u2013AGE e BNG no Parlamento galego.<br \/>\n\u2013SLG, em Compostela.<br \/>\n\u2013Reuni\u00e3o com coletivos em Compostela: Amarante, SLG, Contraminacci\u00f3n, Plataforma Auditor\u00eda<br \/>\nCidad\u00e1 da D\u00e9beda, Verdegaia e Partido SAIN. Compostela.<br \/>\nDia 1 de novembro:<br \/>\n\u2013Reuni\u00e3o do comit\u00e9 de apoio m\u00fatuo MST-Amarante.<br \/>\n\u2013Reuni\u00e3o com coletivos em Ribadeo: Amarante, Amodi\u00f1o, A Casa Azul, A Estruga, As Grelas, Espazo Ecosocialista, labregas da zona, O Formigueiro, Observatorio da mari\u00f1a pola igualdade, O Tes\u00f3n.<br \/>\nAN\u00c1LISE DA COJUNTURA.<br \/>\nReforma agr\u00e1ria popular<br \/>\nPassaram 7 anos desde o anterior congresso e o que se vai celebrar em fevereiro levar\u00e1 por lema \u201cLutar! Construir reforma agr\u00e1ria popular!\u201d. Estes anos de trabalho t\u00eam resultado em uma reforma agr\u00e1ria que \u00e9 quase uma reforma agroambiental, donde \u00e9 considerado todo o territ\u00f3rio, incluindo os recursos naturais e as popula\u00e7\u00f5es que vivem no campo.<br \/>\nNos primeiros anos da luta pela reforma agr\u00e1ria, o MST tinha uma mensagem clara de ocupar terras improdutivas. Agora, esta situa\u00e7\u00e3o mudou e j\u00e1 n\u00e3o se trata de terras improdutivas em m\u00e3os de fazendeiros, sen\u00e3o de grandes extenso s de terra pertencentes a empresas \u1ebd transnacionais (n\u00e3o s\u00f3 agr\u00edcolas) dedicadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de commodities agr\u00edcolas para a exporta\u00e7\u00e3o. Por exemplo, em Riber\u00e3o Preto (de donde vem a Kelli) a cana de a\u00e7ucar ocupa o 99% da terra.<br \/>\nMuita gente, incluidos intelectuais de esquerda, concluem, ent\u00e3o, que como j\u00e1 n\u00e3o se trata de terras improdutivas, a reforma agr\u00e1ria \u00e9 algo superado e atrasado.<br \/>\nH\u00e1 lugares em que o MST j\u00e1 n\u00e3o pode prop\u00f4r mais ocupa\u00e7\u00f5es porque o agroneg\u00f3cio \u00e9 t\u00e3o forte que j\u00e1 n\u00e3o ficam terras, e ningu\u00e9m quere ir para o campo. Para continuar combatendo, o MST incide na sua identidade: as e os Sem Terra n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 pessoas sem terra, mas que lutam por outras moitas cousas. De jeito que em esses territ\u00f3rios s\u00e3o as pessoas j\u00e1 assentadas as que continuam resistindo.<br \/>\nAdemais, o MST ve imprescind\u00edvel que, no Brasil, onde s\u00f3 um 14% da popula\u00e7\u00e3o vive no campo, a preocupa\u00e7\u00e3o pela terra seja uma quest\u00e3o tamb\u00e9m da popula\u00e7\u00e3o urbana. E tratam de estabelecer rela\u00e7\u00f5es entre o campo e a cidade, a trav\u00e8s, por exemplo, de pontos de venta directos \u00e0 entrada dos assentamentos.<br \/>\nG\u00eanero&nbsp;<\/p>\n<p>O setor de g\u00eanero no MST foi creado no ano 2000 e garante a paridade em todos os espazos a partir de 2006: nos n\u00facleos, nas dire\u00e7\u00f5es estaduais e nacionais, nos espa\u00e7os para forma\u00e7\u00e3o, etc. Por exemplo, no VI Congresso, dos 12.000 participantes, 6000 t\u00eam de ser mulheres. E conseguimos tamb\u00e9m que o g\u00eanero seja tratado com um assunto da organiza\u00e7\u00e3o do MST, e n\u00e3o s\u00f3 como algo circunscrito ao setor de g\u00eanero.<br \/>\nNo entanto, essa participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 efectiva, pois a mulher sofre uma sobrecarga de trabalho e difer\u00eancias no acceso aos m\u00e9ios de participa\u00e7\u00e3o (os liberados s\u00e3o maioritariamente homens, os carros s\u00e3o dos homens, etc.). \u00c9 dizer, temos de continuar a luta dentro do pr\u00f3pio do MST para que as condi\u00e7\u00f5es para participar sejam equitativas e efetivas.<br \/>\nAs organiza\u00e7\u00f5es de mulheres existem desde o comezo no MST, e permitem um espa\u00e7o de empoderamento das mulheres para depois poder afrontar os debates sobre a quest\u00e3o do g\u00eanero nos espazos mixtos.<br \/>\nAs datas de luta mais significativas s\u00e3o o 25 de novembro (campanhas contra a viol\u00eancia contra a mulher dentro da Via Campesina) e o 8 de mar\u00e7o, que, desde o 2006, se dedica a a\u00e7\u00f5es de luta focadas nas empresas transnacionais, j\u00e1 que as suas atividades t\u00eam um grande impacto sobre as mulheres.<br \/>\n\u00daltimos protestos no Brasil<br \/>\nOs protestos de junho sorprenderam ao MST e \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de esquerda em geral pois ningu\u00e9m esperava movemento ning\u00fam no Brasil depois de comenzada a Copa Confedera\u00e7\u00f5es.<br \/>\nO segundo motivo de sorpressa foi que houvesse tanta gente jovem nos protestos.<br \/>\nN\u00e3o se pode fazer uma letura s\u00f3 desde o que passou em S\u00e3o Paulo ou Rio: no interior do Brasil houve protestos en cidades donde nunca houve (ou havia muitos anos).<br \/>\nPara o MST foram motivo de alegria. N\u00e3o assim para partidos e organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, que desprezaram os protestos qualificando eles de estar ch\u00e9ios de gente despolitizada.<br \/>\nA avalia\u00e7\u00e3o desde o MST \u00e9 positiva. Talvez haja gente sem uma forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, mas isso acontece porque desde esses mesmos partidos e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o foi realizado esse trabalho de forma\u00e7\u00e3o de base. Ademais, no momento em que os protestos na rua baixaram em intensidade, muita gente procurou como continuar no concreto. \u00c9 a\u00ed que muitas dessas pessoas procuraram os assentamentos do MST, para comprar produtos agr\u00edcolas e tamb\u00e9m para contribuir com os assentamentos. Para o MST resultou na incorpora\u00e7\u00e3o de novas pessoas.<br \/>\nDebates surgidos com os coletivos:<br \/>\nEm Compostela:<br \/>\nA import\u00e2ncia da articula\u00e7\u00e3o de lutas pola defesa da terra, em calquera das suas express\u00f5es concretas: luta contra a minaria destrutiva, defesa da socerania alimentar, etc. Seria interessante que todas essas resist\u00eancias fizeram uma letura do global a partir de esse processo concreto, para podermos construir juntas uma an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e, a partir de ai, articular uma estrat\u00e9gia<br \/>\nconjunta.<br \/>\nVemos que tanto em Brasil como na Galiza h\u00e1 uma tentativa de incidir na rela\u00e7\u00e3o entre o campo e a cidade nas lutas pola terra. Houve tamb\u00e9m um debate sobre a capacidade de resposta das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda tradicionais fronte a novos protestos como os de junho 2013 no Brasil ou o 15M na Galiza.<br \/>\nEm Ribadeo:<br \/>\nO debate teve como protagonista o abandono do rural, que tamb\u00e9m \u00e9 um ponto em com\u00fam, mesmo com realidades bem diferentes quanto a distribu\u00e7\u00e3o da terra no Brasil e na Galiza. Como conseguir que os jovens queram ficar no campo quando o que se incentiva \u00e9 viver na cidade ou como conseguir medidas que favore\u00e7am a soberania alimentar (no Brasil, o 35% da merenda escolar tem de proceder da agricultura familiar), foram dois dos temas mais debatidos.<br \/>\nA modo de conclus\u00e3o:<br \/>\nAs pessoas que participamos em estes encontros, confirmamos mais uma vez que uma luta internacionalista \u00e9 neces\u00e1ria para fazer fronte ao capitalismo neoliberal e que estes encontros s\u00e3o uma boa maneira de nos conhecermos melhor e continuar articulando as nossas resist\u00eancias.<br \/>\nNovos encontros:<br \/>\nEm outubro de 2014 ter\u00e1 lugar em Galiza o encontro europeo entre o MST e os comit\u00e9s de solidadariedade-apoio m\u00fatuo. Desde Amarante, j\u00e1 estamos trabalhando para dar-lhe forma e, com seguridade, voltaremos a contactar convosco para que participedes e continuemos com este trabalho de tecer alian\u00e7as.<br \/>\nAgradecemos de novo a todos os coletivos a s\u00faa participa\u00e7\u00e3o (ou a tentativa, para aqueles que n\u00e3o puideram finalmente estar presentes). Um abra\u00e7o grande a todas e todos.<br \/>\nAmarante-Setem<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hai un par de semanas, deixei constancia no blog dun encontro mantido en Ribadeo cunha representante do Movemento de traballadores sen terra do Brasil. Agora remato de recibir un pequeno informe de Amarante-Setem sobre a visita de Kelli, que as\u00ed se chamaba, a Galiza. 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